Todo mundo sabe: existem muitos senhores bonitões por aí. E o mais legal deles é que, geralmente, além de serem bonitões, têm aquele "algo a mais". Mikhail Baryshnikov se encaixa nesse padrão. Sr. Misha completará 60 anos dia 28 de janeiro do ano que vem e está inteiraço. Eu vi com estes olhos que a terra há de comer, ontem, no Theatro Municipal de São Paulo.
Baryshnikov começou a dançar aos 9 anos na Letônia, onde nasceu. Passou pela grande companhia de balé Kirov e de lá foi para os EUA, após pedir asilo político durante uma turnê. Dançou e dirigiu o American Ballet Theater e já foi ator (recomendo "O Sol da Meia-noite" e o afamado seriado "Sex and the City", no qual ele aparece nos últimos episódios da 6ª temporada). Atualmente, coordena em New York o Baryshnikov Arts Center, a Baryshnikov Dance Foundation e a companhia Hell's Kitchen Dance, que veio em curta temporada para o Brasil. Eles se apresentaram no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Festival de Joinville. A companhia apresenta treze bailarinos muito novos, contrastando com o mestre que os dirige.
A primeira coreografia apresentada chama-se "Years Later". É um solo de Misha, no qual ele contracena com um vídeo de si mesmo quando jovem. O projetor do vídeo é posicionado no chão do palco, de forma que o jovem Baryshnikov e a sombra do atual também contracenam. A coreografia é bem humorada e o bailarino continua muito carismático.
A segunda coreografia é executada por uma bailarina alta de pernas grossas (o que me deu esperanças de um futuro com a dança!) que usa uma peruca loira e "canta" a música "Sh-boom", do filme "Crybaby". Coreografia muito engraçadinha e muito bem executada.
A terceira é "Rom" e é embasbacante. A música é forte, com percussão e ritmo muito marcados. Trata-se de uma música tradicional húngara. Quem dança é um negão enorme que parece ter o controle de cada músculo do seu corpo separadamente. Cabeça, tronco e quadris parecem dançar sozinhos. Um dos melhores bailarinos de contemporâneo que já vi no palco, sem dúvida alguma.
A última coreografia conta com todos os bailarinos da companhia. É uma coreografia longa e lenta, mas consegue ainda assim ser emocionante. O que eu achei mais interessante foi a repetição do fraseado da música e a presença de um "tic-tac, tic-tac" entre essas repetições.
Curioso ver que, nas duas coreografias das quais Misha participa, o envelhecimento é lembrado.
Resumindo: belo espetáculo, bela companhia, belas músicas, belas coreografias.
E belíssimo bailarino, aquele tal. Mesmo velho (não sejamos hipócritas), ainda flutua no palco e o tem como sua casa. Quando entra pela primeira vez, por uma das últimas coxias, é possível ouvir suspiros da platéia. O homem é um mito e os mais de cinco minutos de aplausos foram para o bailarino que ele foi e é: uma vida fundida com a dança.
quinta-feira, 26 de julho de 2007
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