terça-feira, 18 de setembro de 2007

O Labirinto do Fauno

Lançado em 2006, ele ganhou vários prêmios na indústria cinematográfica, e isso não foi por acaso. Guillermo del Toro, diretor, roteirista e produtor, apresenta um belíssimo e sombrio longa-metragem que se passa na Espanha de 1944, após o fim da Guerra Civil. Muitas coisas mudam na vida de Ofélia, interpretada competentemente pela jovem Ivana Baquero, uma menina de dez anos que se muda com a mãe (Ariadna Gil) grávida para o casarão de seu novo padrasto, um general fascista interpretado por Sergi López, um dos piores vilões que já vi no cinema. Em sua nova casa, Ofélia presencia batalhas de rebeldes remanescentes da guerrilha, que são secretamente ajudados por Mercedes, governanta da mansão interpretada por Maribel Verdú, que conseguiu compor uma personagem triste e introspectiva, porém com aquele brilho nos olhos de quem ainda tem esperança de mudança. Ofélia também conhece um labirinto onde vive um fauno, que a informa que é uma princesa de um mundo subterrâneo e que, para voltar para lá e reencontrar seus pais, precisa realizar certas missões. O filme mistura fantasia, suspense e drama numa história sem exageros apresentada de forma bela e imaginativa. Em certas cenas, são perceptíveis metáforas sobre as tragédias vividas na época. Destaque à fotografia sombria e ganhadora de Oscar, que representa bem a guerra vista dos olhos de uma pequena princesa de dez anos.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Mikhail Baryshnikov continua lindo

Todo mundo sabe: existem muitos senhores bonitões por aí. E o mais legal deles é que, geralmente, além de serem bonitões, têm aquele "algo a mais". Mikhail Baryshnikov se encaixa nesse padrão. Sr. Misha completará 60 anos dia 28 de janeiro do ano que vem e está inteiraço. Eu vi com estes olhos que a terra há de comer, ontem, no Theatro Municipal de São Paulo.
Baryshnikov começou a dançar aos 9 anos na Letônia, onde nasceu. Passou pela grande companhia de balé Kirov e de lá foi para os EUA, após pedir asilo político durante uma turnê. Dançou e dirigiu o American Ballet Theater e já foi ator (recomendo "O Sol da Meia-noite" e o afamado seriado "Sex and the City", no qual ele aparece nos últimos episódios da 6ª temporada). Atualmente, coordena em New York o Baryshnikov Arts Center, a Baryshnikov Dance Foundation e a companhia Hell's Kitchen Dance, que veio em curta temporada para o Brasil. Eles se apresentaram no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Festival de Joinville. A companhia apresenta treze bailarinos muito novos, contrastando com o mestre que os dirige.
A primeira coreografia apresentada chama-se "Years Later". É um solo de Misha, no qual ele contracena com um vídeo de si mesmo quando jovem. O projetor do vídeo é posicionado no chão do palco, de forma que o jovem Baryshnikov e a sombra do atual também contracenam. A coreografia é bem humorada e o bailarino continua muito carismático.
A segunda coreografia é executada por uma bailarina alta de pernas grossas (o que me deu esperanças de um futuro com a dança!) que usa uma peruca loira e "canta" a música "Sh-boom", do filme "Crybaby". Coreografia muito engraçadinha e muito bem executada.
A terceira é "Rom" e é embasbacante. A música é forte, com percussão e ritmo muito marcados. Trata-se de uma música tradicional húngara. Quem dança é um negão enorme que parece ter o controle de cada músculo do seu corpo separadamente. Cabeça, tronco e quadris parecem dançar sozinhos. Um dos melhores bailarinos de contemporâneo que já vi no palco, sem dúvida alguma.
A última coreografia conta com todos os bailarinos da companhia. É uma coreografia longa e lenta, mas consegue ainda assim ser emocionante. O que eu achei mais interessante foi a repetição do fraseado da música e a presença de um "tic-tac, tic-tac" entre essas repetições.
Curioso ver que, nas duas coreografias das quais Misha participa, o envelhecimento é lembrado.
Resumindo: belo espetáculo, bela companhia, belas músicas, belas coreografias.
E belíssimo bailarino, aquele tal. Mesmo velho (não sejamos hipócritas), ainda flutua no palco e o tem como sua casa. Quando entra pela primeira vez, por uma das últimas coxias, é possível ouvir suspiros da platéia. O homem é um mito e os mais de cinco minutos de aplausos foram para o bailarino que ele foi e é: uma vida fundida com a dança.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

O Tal

Ele é a bola da vez. Só se escuta falar sobre ele no meio adolescente. Tá chegando e amedronta. Maldito...!
De 1910 a 1913, o Brasil teve um ministro (não merece minha letra maiúscula) da educação chamado Rivadávia da Cunha Corrêa. Você não leu errado. É R-i-v-a-d-á-v-i-a mesmo. Esse pela-mãe-mal-amado instituiu o nosso querido exame vestibular. Na realidade, a ação foi muito bem vinda para a época, já que não havia vagas no ensino superior para todos e só costumava ingressar no mesmo quem estudava em determinada escola que tinha determinado certificado. Fez do terceiro grau algo ligeiramente mais acessível, afinal (lembrem-se: como diria aquela tartaruga, devagar se vai ao longe). Agradeçam: as provas eram muito mais difíceis do que as atuais. Muito menos conteúdo muito mais aprofundado. Era praticamente impossível passar, então, começaram a surgir os cursinhos pré-vestibular. E depois ainda vieram as tais cotas (um bom assunto para outro dia). É uma cagada em cima de outra. Ah, esse país...
Enfim: é sabido que o vestibular não é o metódo de seleção ideal. É ultrapassado e injusto. Como decidir quem vai e quem não vai para a faculdade em dois (em outros casos mais ou menos) dias? Bom mesmo seria uma análise de currículo feita por um extenso e brilhante conjunto de professores. O problema é que não há essa mão-de-obra, não há esse tempo. Fa-z-o-q? Faz vestibular, meu filho. Vai pra universidade, rala sozinho por não ter professor pra te dar aula. Com muito custo, faz um mestrado, um doutorado fora e volta. Vem fazer parte dessa banca examinadora de currículos. Relembro a tartaruga: devagar se vai...
É isso. Ele tá aí e, se você quer ter a tal profissão dos seus sonhos, vai ter que passar por ele. Por mais stress que cause, há males que vêm para bem. Boa sorte no fim de semana, pré-universitário brasiliense.

Vestibulares UnB 2007: dias 16 e 17, na sala de tortura mais perto de você!

Fonte dos dados históricos: Vestibuol

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Simplesmente?

É até engraçado pensar que vou voltar a publicar escritos por aí. A chance de tantas pessoas terem a possibilidade de ler algo que eu vou escrever é empolgante, além de extremamente acanhadora (ah, esses paradoxos...). É possível que algum dia eu me envergonhe disso que agora escrevo. Ou que me orgulhe! Vai saber, né?
Bem... Escrever para os outros é uma coisa, escrever em um blog é outra. Não sei o que outros donos de blogs pensam dos seus, mas o meu será pra mim ("não controlo meu super ego-o"). Quem sabe, daqui a um tempo, não me dê vontade de ver como eu pensava naquele remoto ano de 2007? É... Pagar pra ver.
Os assuntos que vão aparecer por aqui serão dos mais variados (ou ao menos é esse o plano). São coisas muito diferentes que aparecem por aí e que nos fazem pensar, aí eu venho, escrevo e pronto. Há chances de que apareçam textos meus antigos também. Acho que esse blog é uma expressão da minha vontade de guardar meus escritos da vida. Eu tenho essa mania de guardar coisas (mas isso é assunto pra outra hora...).
Acho que é bom explicar de onde veio o nome e o endereço do blog: "Simplesmente" é o nome de uma música da Bebel Gilberto. Ela é uma pessoa muito curiosa. Imagina crescer naquele meio!Filha de João Gilberto e Miúcha, sobrinha, por conseqüência, de Chico Buarque (um dos meus "homens preferidos"), amiga de Cazuza, entre outras figuras marcantes da vida pessoal dela. Enfim: a música "Simplesmente" fala de muitas coisas diferentes, assim como boa parte das letras escritas por ela, mistura inglês e português, o que eu achei interessante, e inclui a seguinte passagem:
"Não quero nunca esconder
Talvez eu possa até me arrepender
Só porque então pensei
Que gente possa ser
Bem mais que simplesmente
ser."
Além da voz inacreditável e do arranjo super agradável, essa passagem me coça a massa cinzenta. Essa vontade de fazer a diferença, de ser mais que um "simples ser"... Eu tenho. E recomendo que tenham também.